Cresci em uma família de operários de indústria no interior do Estado de São Paulo. Por conta disso, meu primeiro trabalho, como era de se esperar, foi na indústria.

Grande parte da minha família era membro da Igreja Presbiteriana Independente, ramo do protestantismo em que minha mãe me criou.

Na adolescência, ao final do Ensino Médio (segundo grau na época…), decidi cursar Teologia, no seminário da denominação a que pertencia.

O impacto da faculdade foi grande, sobretudo para uma mente habituada com cálculos mecânicos. Pensar foi um aprendizado doloroso…

Já na faculdade, meu sonho era, um dia, fazer “mestrado”. Parecia algo distante e muito difícil, dadas as exigências que me diziam serem altas.

Depois de três anos formado em Teologia, fui fazer uma especialização latu sensu na mesma faculdade em que estudara. A essa altura, fui picado pelo mosquito da sociologia.

Meu orientador na especialização me sugeriu uma abordagem sociológica do tema escolhido e um mundaréu de livros para eu entender como fazer. Foi aí que tomei gosto por Weber, Marx, Durkheim, Bourdieu e companhia.

De lá pra cá, fiz meu mestrado em Ciências da Religião, na área de concentração de Ciências Sociais e Religião, seguido do doutorado na mesma área. O pós-doc foi consequência lógica, porém, em Antropologia Social e em outra universidade.

Desde então, me dedico às duas atividades, a de ensinador de teologia e de pesquisador de sociologia e antropologia da religião.

Deixei minha cidade há tempos. Provavelmente não retornarei a ela. Sigo em frente, como diria Riobaldo: “Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre – o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém!.  (pág.8)”